sábado, 14 de maio de 2011

RESPEITO AO MEIO AMBIENTE


“Respeito” vem do Latim RESPICERE, que significa “olhar de novo”...

Se o meio ambiente merece ser olhado de novo, é porque apresenta coisas positivas ou requer cuidados. Pelo menos essa é a idéia expressa na palavra. Por mais que os desejos de lucro, desenvolvimento e de comodidade estejam presentes, é preciso olhar de novo e colocar em pautas as coisas positivas, as fragilidades ou falta de defesa que o outro apresenta

Também é necessário saber uma coisa: aceitar é uma coisa, respeitar é outra... posso não aceitar, mas devo respeitar...a medida que sou respeitado. Se não há respeito, não pode haver aceitação.

Aceitar é um estado elevado de consciência quanto de frente as diferenças, diversidades e posicionamentos diversos. Não aceitar é um estado de consciência critica frente as injustiças feitas ao meio ambiente. Se não houver respeito, não tem como haver aceitação.
Respeite o meio ambiente, pois da mesma forma que você o respeita, ele irá te respeitar.

Luciano Henrique Pinto

sexta-feira, 4 de março de 2011

O DESCARTE DE MEDICAMENTOS E O MEIO AMBIENTE - PARTE I



Os medicamentos vencidos ou as sobras de tratamento não podem ser descartados de qualquer maneira no ambiente, sem se ter maiores preocupações com o impacto que isto pode causar ao meio. Apesar de se ter legislações e regulamentações que apresentam como objeto a destinação adequada do produto, existem duas situações que ainda podem ser apontadas como preocupantes: o descarte inadequado feito pelos domicílios e o não cumprimento de determinações legais por autoridade publicas relativas ao descarte de medicamentos.

Em temos gerais, seria importantes estimar o risco a saúde e ao meio ambiente do descarte inadequado de medicamentos, considerando efeitos a médio e longo prazo, e criar uma conscientização neste sentido. O objetivo deste texto é justamente alertar para o risco em longo prazo, e refletir sobre possíveis ações de sustentabilidade neste sentido.

A questão do descarte inadequado de medicamentos nos domicílios é fomentada pelo hábito do estoque caseiro e pelo crescente consumo de medicamentos – tema abordado no texto “Promoção a saúde, o ambiente e a medicalização da saúde” deste mesmo blog – que aliada a questões como a não adoção da estratégia de fracionamento pelas drogarias e industrias, acabam por potencializar este risco ao meio ambiente e a saúde das pessoas de um modo geral.

Estudos apontam que as contaminações nos rios por medicamentos e seus derivados são pequenas e aparentemente sem riscos ao homem, mas os efeitos aos organismos aquáticos são reais, porem não conhecido em detalhes. Ainda se tem o risco de efeitos acumulativos dentro da cadeia de um ecossistema. Tem-se ainda o risco de contaminação fetal por ingestão de quantidades ínfimas e sem conseqüências a um adulto, mas que pode ser perigoso para um feto. Além destes fatos temos o risco de contato de microorganismos presentes na água com certos antibióticos que podem favorecer ao desenvolvimento de bactérias resistentes, e concentrações elevadas de hormônios que podem promover diversas alterações genéticas.
 
As indústrias farmacêuticas juntamente com as grandes redes de farmácias e drogarias poderiam contribuir para que tais problemas não fossem amenizados, via dispensação fracionada de medicamentos, via recolhimento de medicamentos. As indústrias e drogarias deveriam ainda ressarcir os usuários que são obrigados a adquirirem mais medicamentos que necessitam ou com validade muito próxima, e também fornecerem descontos na aquisição de novos medicamentos quando o usuário necessitar. Lógico que dentro de uma logística e organização viável.


Que o problema do descarte inadequado é real não se discute, o que é necessário agora é propor estratégias não só direcionadas aos usuários, mas também a toda cadeia produtiva dos medicamentos, adotando-se uma postura sustentável e que garanta as gerações de agora e vindouras um ambiente mais saudável e uma maior consciência sobre o uso adequado de medicamentos e seu correto descarte.

Luciano Henrique Pinto



domingo, 20 de fevereiro de 2011

PARALISAÇÃO DAS OBRAS EM BELO MONTE


“O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, defendeu nesta segunda-feira, 7, a "completa e imediata paralisação" do início das obras da usina de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), até que sejam cumpridas todas as condicionantes para a execução do projeto. Ele fez o anúncio de sua posição ao receber a visita do presidente da seccional da OAB do Pará, Jarbas Vasconcelos, que estava acompanhado do vice-governador do Estado, Helenilson Pontes.” AGENCIA ESTADO. 09/02/2011

Recentemente o Presidente da OAB defendeu a completa paralisação do inicio das obras da Usina de Belo Monte, no Pará, até que sejam cumpridas todas as exigências legais e ambientais para a realização do empreendimento. O fato chamou a atenção da mídia, e em um aspecto em particular foi colocado: Como que em uma situação tão discutida e em sua essência tão complexa se inicia sem o atendimento de todas as exigências legais e ambientais?

Tem-se como questão que o inicio das obras estão “respaldados” por uma liminar provisória, expedida de caráter oficial, situação esta que remete a uma questão “ética,” conforme abordado no texto “Ética uma atitude saudável” (04/02/2011), deste mesmo blog. No caso de Belo Monte, temos a presença de objetivos bem distintos e que se contrapõe: de um lado o interesse econômico, atrelado ao abastecimento de energia, e de outro a questão sócio ambiental do local. e as implicações de tal projeto. Não se discute aqui a relevância dos objetivos dos grupos, mas a ausência de uma a respeito de um objetivo de amplitude coletiva mais abrangente a este dois, que seria o bem estar daquela população e a existência de alternativas para a questão que se vem discutindo a mais de trinta anos e de considerável impacto social e ambiental.

As pessoas que lá vivem não podem pagar o maior preço pelo interesse puramente econômicos envolvidos nesta situação. O grupo que defende as vantagens econômicas, e que coloca seus objetivos acima de qualquer outro, age de certa forma de um modo antiético, a partir do momento que inicia a obra com uma liminar provisória e sem o consenso de todas as partes envolvidas, numa clara ação que desmerece os demais objetivos e interesses envolvidos. É também é obvio que uma vez iniciada a obra, ficará mais difícil de paralisa-la, além do comprometimento de recursos financeiros investidos.

Ter clareza dos objetivos, discuti-los e ter em pauta sempre um objetivo maior, que neste caso tem relação com a saúde de forma ampliada daquela população é o mínimo de transparência e ética que se exige em uma situação que envolve a saúde ambiental de Altamira e de qualquer outro lugar do planeta...

Luciano Henrique Pinto

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

MEIO AMBIENTE E SAÚDE, RELAÇÃO DE CAUSALIDADES.


Luciano Henrique Pinto

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INTRODUÇÃO

O meio ambiente e sua representação social é definida como sendo o lugar determinado ou percebido, em que elementos naturais e sociais presentes estão sempre em relações dinâmicas e em interação com a realidade, construindo desta forma processos culturais, tecnológicos e processos históricos e sociais de transformação do meio naturalmente construído. Ou seja, o ambiente é constituído de aspectos que são determinantes no meio, além de promover sua transformação. Tal transformação pode trazer implicações diretas para a saúde dos indivíduos que constituem este meio, sendo necessário racionalizar as ações sobre o ambiente a fim de evitarem-se danos.

A correlação entre meio ambiente e sua representação social com a saúde trás uma serie de possibilidade de ampliar o escopo de atuação no planejamento em saúde, por meio da avaliação da relação de causalidade entre ambos. A elaboração de um paralelo entre o que seria supostamente um ambiente saudável e suas características desejáveis, juntamente com as variáveis que contribuem para o adoecimento de uma localidade, permitira a projeção de ações voltadas para a promoção da saúde tanto coletiva quanto individual.

Dentro do que foi abordado, a questão a ser investigada é de quão válidos seriam as suposições e variáveis e qual sua utilidade para o planejamento em saúde. A compreensão desta relação de causalidade é um dos objetos da abordagem que segue, que visa uma melhor compreensão e valorização do meio ambiente com agente de saúde do meio em que se vive.

O AMBIENTE, A SAÚDE E O HOMEM

O homem determina - tanto pela forma de agir como pela forma que se organiza coletivamente - as condições ambientais do meio que podem ser favoráveis ou não a saúde de seus semelhantes. Não se tem como pensar em saúde sem pensar na participação das pessoas em prol da mesma, seja como agentes diretos no processo, seja como membros de uma organização que articulada defenda e promova a saúde junto as órgão oficiais, assim como sempre se pensa no homem quando o ambiente adoece, seja pela omissão ou por não compreensão da importância do ambiente para a saúde. O pressuposto inicial aqui abordado é de que as variáveis do meio ambiente e sua representação social são úteis uma vez que é composta de elementos sociais e de elementos naturais, que dão uma dimensão de responsabilidades assim como de prioridades para o cuidado do meio ambiente e promoção a saúde.

Para melhor avaliar esta questão, é importante analisar dois aspectos envolvendo a representação social do meio ambiente e a saúde, sendo o a seguir considerado desejável (Figura 1):

Figura 1

Neste esquema percebe-se que a relação entre os elemento naturais e sociais, leva a processos de interação que tem imapcto direto na ambiente, tanto nos campos naturais e sociais, destacando-se a participação popular na concientização do cuidado e preservação do meio ambiente, juntamente com uma relação saudável do homem com o mesmo.

Em uma segunda análise, temos a simulação de situações não favoráveis ao ambiente e a promoção da saúde, conforme esquema abaixo (Figura 2):
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Figura 2
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Neste novo esquema observa-se que se os elementos naturais tanto quanto os sociais se encontrarem adversos ou inexistentes, e os processos culturais, tecnológicos, históricos e sociais podem resultar no descaso em relação a conservação e proteção do meio ambiente, podendo neste cenário tornar -se desfavorável a saúde das pessoas. As ações voltadas para superar as doenças podem ser advindas de ações reducionistas como a medicalização da saúde. Tais ações podem apresentar um escopo muito limitado, não contribuindo de fato para a manutenção de um ambiente saudável para a comunidade.

Um exemplo que se pode relacionar com a questão da saúde e do ambiente diz respeito ao tratamento do lixo. Uma vez que este não for tratado de maneira adequada, pode acarretar em problemas de saúde diversos, cuja causa principal esta na relação do homem com seu ambiente (Figura 3). As intervenções podem ser simplimente a indicação de anti parasitários, o que na verdade não age na causa do problema.

Figura 3
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A SAÚDE E O MEIO AMBIENTE

A comparação e prospecção de um ambiente saudável versus um adverso em termos de saúde, considerando a representação social do ambiente e a influencia deste na saúde das pessoas demonstra que tanto os elementos sociais e naturais que compõe o ambiente devem ser considerado e trabalhados quando se pensa em planejamento em saúde, necessitando que ambos estejam harmonicamente direcionados a saúde. A chave de todo processo reside na participação popular, uma vez que o homem tem, ou deveria ter, consciência do seu papel de agente modificador do meio ambiente, e trabalhar sempre para a melhoria e conservação do mesmo, não se pautando apenas em intervenções reducionistas. A análise do meio ambiente permite traçar um perfil de uma comunidade e fornecer informações que podem ser úteis em um planejamento de saúde, de uma maneira ampliada e digna tanto para o ser humano quanto para o planeta.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

sábado, 5 de fevereiro de 2011

PROMOÇÃO A SAÚDE, O AMBIENTE E MEDICALIZAÇÃO DA SAÚDE.






No ano de 1974, o termo Promoção da Saúde apareceu pela primeira vez como conceito (MacDonald, Bunton, 1995) em um documento oficial chamado de ‘Informe Lalonde’, assim denominado em alusão ao então ministro da saúde do Canadá, Marc Lalonde (Draper, 1995 apud Buss, 2003). Este documento foi determinante na divulgação de um novo conceito de ‘campo da saúde’, que se opunha à perspectiva tradicional, intimamente associado à medicina, vista até então como fonte de todos os avanços na saúde , juntamente com as intervenções medicamentosas entre outras intervenções tecnógicas em saúde. Com base neste novo conceito de ‘campo da saúde’, fomentou-se a discussão sobre a necessidade de se analisar de modo mais abrangente as causas e os fatores predisponentes de doenças e problemas de saúde, o que ajudaria a delinear ações e estratégias que extrapolassem o sistema de saúde.

O novo conceito de ‘campo da saúde’ nivelava os elementos da biologia humana, do meio ambiente e do estilo de vida em grau de importância semelhantes para um sistema de saúde propriamente dito. A aplicação desse conceito significava que as respostas aos problemas de saúde deveriam ser buscadas no conjunto dos quatro elementos constitutivos do campo e não isoladamente. No entanto, a partir da análise das principais causas de morte no Canadá, em 1971 os elementos constituintes do ‘campo da saúde’, o meio ambiente e o estilo de vida mereceriam destaque maior no Informe Lalonde (Restrepo, 2002), conforme se evidencia no trecho a seguir:

“Os riscos auto-impostos e o meio ambiente são os fatores principais ou pelo menos importantes entre as cinco maiores causas de morte de 1 a 70 anos de idade; [assim] só se pode concluir que, a menos que o meio ambiente seja modificado e que os riscos auto-impostos sejam diminuídos, as taxas de morte não serão significativamente reduzidas” (Lalonde, 1974, p.15).
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Figura 1 -MEIO AMBIENTE E SUA REPRESENTAÇÃO SOCIAL

A questão ambiental na saúde aponta para uma intervenção mais ampliada da mesma, considerando seus vários aspectos. Vale ressaltar que o meio ambiente não deve ser relacionado apenas as questões ecológicas, mas também em sua representação social. Marcos Reigota, define esta representação social como sendo o lugar determinado ou percebido, em que elementos naturais e sociais presentes estão sempre em relações dinâmicas e em interação com a realidade, construindo desta forma processos culturais, tecnológicos e processos históricos e sociais de transformação do meio naturalmente construído (figura 1). Ou seja, o ambiente é constituído de aspectos que são determinantes no meio, além de promover sua transformação. Tal transformação pode trazer implicações diretas para a saúde dos indivíduos que constituem este meio, sendo necessário racionalizar as ações sobre o ambiente a fim de evitarem-se danos.
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Figura 2 - CONCEITO AMPLIADO DE SAÚDE

No Brasil a questão da saúde e do ambiente também esta presente no conceito de saúde adotado neste país a partir da VIII Conferência Nacional de Saúde de 1986. Nesta conferência a saúde foi definida como sendo um processo resultante das condições de alimentação, habitação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde (figura 2). Destaca-se também na Lei 8080/90, que em seu Artigo 3º , inclui o meio ambiente como determinante da saúde.
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Um processo cultural de medicalização da saúde pode levar a uma comunidade a se preocupar menos com o ambiente, com a qualidade do ar ou da água, ou com a existências de areas de lazer e ocupação, visto que existirá um agente medicamentoso que poderá reverter os sintomas adversos. A falta de organização social, visando preservar um ambiente útil ao lazer, ou a construção de espaços para tal finalidade pode porque não comprometer a saúde mental de uma comunidade, deixando – os mais suscetíveis a intervenções farmacológicas e a dependência dos mesmos.

Percebe-se então que a construção de um processo de promoção a saúde envolve a participação de vários saberes, e que a questão ambiental, juntamente com a sua representação social não pode ser desconsiderada. A priorização de um ramo do saber cria vieses reducionistas, como a adoção do modelo biomédico, que reduz o homem a apenas uma maquina corporal, passível de troca de peças de reposição, cujo insumo principal de atuação é o medicamento. Cria-se o fenômeno do Homem – Medicamento – Saúde, totalmente desconectado do ambiente e das conseqüências deste na sua saúde.

Luciano Henrique Pinto

ALGUMAS REFERENCIAS CONSULTADAS

BUSS, P.M. Uma Introdução ao Conceito de Promoção da Saúde. In: Czeresnia, D., Freitas, C.M. (orgs.). Promoção da Saúde: conceitos, reflexões, tendências. Rio de Janeiro: Editora da Fiocruz, 2003.

REIGOTA, M. Meio Ambiente e Representação Social. 7º Edição. São Paulo: Cortez, 2002, 88 p.

RESTREPO, H.E. Conceptos y Definiciones: Promoción de la Salude: como construir vida saludable. Bogotá. Editorial Médica Internacional, 2002.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

ÉTICA: UMA ATITUDE SAUDAVEL..


Toda pessoa aparentemente saudável se relaciona e, por conseguinte, possui seus ambientes de relacionamentos, seja no trabalho, na família ou nos círculos de amizade. Assim como em várias circunstâncias da vida, também existem “regras” que determinam a forma que o ser deve se comportar, para que as relações se mantenham saudáveis. O que observo e me causa espanto é que, em grande parte das convivências, nos diferentes ambientes, as relações entre as pessoas vêm se tornando desgastadas e estressantes, marcadas por situações de desrespeito. Tais situações são geralmente precedidas por atitudes que são consideradas “antiéticas”.

A ética, em sua definição corrente, corresponde ao ramo da filosofia que estuda a natureza do que é considerado moralmente adequado e correto. Mas como julgar o que é correto em um mundo em no qual existem vários interesses em jogo, sejam estes pessoais ou de grupo, e que na visão daqueles que os defendem, o "correto" está sempre do lado que lhe interessa ou defende? Poderia afirmar-se que a ética é variável segundo os olhos de quem a vê?

Refletindo sobre o tema “ética”, percebo que se em um dado ambiente os seres adotarem posturas de enxergarem apenas os seus próprios interesses, de não se comunicarem e de apenas defenderem as suas posições por meio de condutas moralmente questionáveis, o que irá ocorrer certamente será os conflitos entre os semelhantes, causando desrespeito e desarmonia nas relações, sendo assim antiéticos no meu entender.

Mas como então conduzir a vida diante de situações delicadas, de conflitos de interesse, de maneira a não faltar com a ética, em seu sentido mais amplo? Tenho notado que inicialmente faz-se necessário ter um propósito maior, elevado, e que seja comum ao grupo no qual esta inserido. Deve-se dar a este propósito uma hierarquia elevada, acima dos interesses pessoais. E é importante ter em mente que não se deve encarar a ética apenas como “cumprimento de regras elementares de educação”, mas ir mais além... Encará-la como oportunidade de realizar algo proveitoso e justo.

Quando se possuí um interesse próprio, não se deve defendê-lo ou buscá-lo de qualquer maneira ou a todo custo, pois se incorre no risco de passar por cima do respeito e da harmonia existentes nas relações já estabelecidas. Procurar ser transparente e coerente nas ações e ouvir as partes interessadas e os que pensam diferente de nos variados ambientes de relação ajuda a entender um pouco sobre esta tal postura ética... mas nunca sem esquecer que sempre existe um propósito coletivo e justo para todos... Isto é ter uma atitude saudável.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A SAÚDE COMO HERANÇA



Todo ser humano é afetado em seu desenvolvimento por diversos fatores, que vão desde os fisiológicos aos ambientais. Mas nenhum deles é tão marcante e ao mesmo tempo tão sutil quanto as influências familiares transgeracionais. Todos somos afetados de alguma maneira pela família de origem e pela história que ela construiu ao longo de séculos e que carrega consigo. As transferências familiares transcorrem muito além dos genes; se dá também por conta de mitos, padrões e heranças das mais variadas origens. Nossos ascendentes de alguma maneira nos repassaram as suas experiência de dores, alegrias e decepções, e nós certamente a passaremos a diante de alguma maneira, que pode ser piorada, melhorada ou inalterada.
Os mecanismo de transferências genéticos são os mais comuns e são determinantes para as características físicas do ser. Porém no campo psicológico, tem-se as transferências de fatores sociais como crenças, valores e mitos. Estes podem ser repassados e serem aceitos e conhecidos – o que leva o ser a lidar melhor com algum trauma - ou podem ser inconsciente, passado de forma velada mas assimilada pelos atos, atitudes e posicionamentos de nossos ascendentes. Talvez tenhamos atitudes que não sabemos a origem ou motivo, e que a resposta para tal questionamento esteja no passado, em fatos que marcaram a vida de um nosso ascendente e foi herdado de forma inconsciente.
Desta forma, muitas famílias apresentam mitos familiares, podendo ser abertos ou tratados como verdadeiros segredos de família, mas que repercutem de igual maneira na forma de como o ser pensa e age, e que influencia a personalidade dos filhos de alguma maneira. Estes mitos moldam a nossa forma de pensar e encarar o mundo, sendo orientadores diários de nossa vida. As orientações familiares se constroem ao longo dos anos, e as aprendemos por repetição de comportamento ou de tanto ouvir uma história ou por copiar um comportamento familiar. Uma pessoa que brigou ou foi traída por irmãos desenvolve uma certa desconfiança ou aversão familiar, que certamente será repassado aos filhos de alguma maneira. Toda criança aprende a viver imitando seus pais, e estes aprenderam imitando os seus, captando suas virtudes, medos, deficiências entre outros aspectos. Estes mitos podem surgir de outras diversas maneiras: formação da própria cultura familiar, ruptura com padrões anteriores ou ruptura de relações ao longo da vida. Outra forma de aprender com os pais é resignificando os padrões, promovendo as chamadas orientações corretivas. Um filho de um alcoólatra cria aversão ao álcool e vai assim ensinar seu filho, por exemplo. O que é preocupante é que muitas das orientações familiares, principalmente as aprendidas por imitação e sem reflexão podem ser verdadeiras camisas de forças, e atrapalhar o equilíbrio do ser. Assim necessita ser compreendida para poder ser resiginificada.
O estudo das gerações anteriores nos ajuda a livrarmos de certas camisas de força. Permite entender o papel de cada um no “teatro familiar”, e examinar e questionar algumas crenças e fantasias que causam os problemas atuais. Conhecer nosso passado proporciona uma visão nova, permite explorar padrões que influenciam a vida e redimensionar a vida atual.
O desconhecimento das possibilidades internas e dos segredos que residem nas profundezas de seu espírito torna o homem cético a respeito do seu próprio destino. A evolução de um ser passa pelo reconhecimento das heranças psicológicas que lhes são passadas, assumindo a postura de herdeiro de uma história que também lhe pertence e poderá então conhecer o porque de algumas angustias que padece, além de respostas para questões da qual não tenha encontrada ainda explicações que lhe satisfaça. As constatações de tais heranças ocorrem pela vocação a uma certa ciência, a facilidade para encarar alguns estudos, pela manifestação de alguns medos e preconceitos. Daí reside a necessidade de buscar esta herança e compreende-la, traduzindo suas prerrogativas e permitindo ao ser planejar melhor sua existência e de seus descendentes.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A SAÚDE EM BELO MONTE


A discussão em pauta no momento é sobre a construção de uma usina hidrelétrica em Belo Monte – PA, onde se pretende construir a terceira maior hidrelétrica do mundo. Este projeto vem sido debatido desde 1975, e já sofreu várias alterações desde a sua concepção original. As questões mais polêmicas estão relacionadas a alteração no escoamento do rio Xingu e a inundação permanente de igarapés de Altamira e Ambé, que cortam a cidade de Altamira. Frente a isto tudo, fica o questionamento: qual o real impacto da construção da tal hidrelétrica na saúde os indivíduos que lá vivem, principalmente nos quesitos relativos a mudanças culturais e de adaptação?
Os defensores da construção apontam para a questão econômica: os preços mínimos de magawatts / hora entre energia gerada por hidrelétricas – mais barata, quando comparadas as geradas por usinas eólicas e a gás são o principal argumento para justificar a construção de Belo Monte. De outro lado, temos observações como do bispo austríaco Erwin Krautler, que considera o empreendimento um risco para os povos indígenas, devido as alterações ambientais que podem levar a falta de água, devido ao desvio do curso do rio para a alimentação de barragens e movimento de turbinas. Alterações culturais também vão ocorrer, devido a migração que acontecerá durante a construção, que poderá levar a população de Altarmira a se duplicar.
Enquanto alguns argumentam defendendo interesses econômicos, e outros defendem os interesses do ecossistema e da cultura dos povos que lá vivem, reforço o questionamento: qual o real impacto da construção da tal hidrelétrica na saúde os indivíduos que lá vivem? A saúde não pode ser entendida apenas como algo limitado ao corpo e individual. Saúde envolve o ambiente onde o ser vive, e como este se estrutura e se organiza. Saúde também é cultura. A saúde merece ter uma atenção centrada na comunidade, a qual é vista e entendida a partir do seu ambiente físico e social. Essa prática propicia uma compreensão ampliada do processo saúde-doença e da necessidade de intervenções que vão para além das práticas curativas. Quanto mais preservada é a cultura de um lugar, mais saudável é seu povo, pois não necessita deixar de se adaptar as mudanças esperadas para ser submisso a mudanças radicais. Por anos os povos que lá vivem se adaptaram, criando condições favoráveis frente as adversidades naturais e previsíveis. O que querem fazer com a comunidade que lá vive é uma a imposição de uma mudança fora dos padrões naturais, e submeter este povo a esta, em troca de economia na produção de energia. Até que ponto vale economizar em energia (usar a hídrica ao invés de outras), se o preço da economia vem avalizado pelo comprometimento ambiental e cultural de uma região?
A quem diga que a chegada da usina irá melhorar a qualidade de vida de Altamira, pelo remanejamento da população que vive em palatifas para moradias bem estruturadas, além da geração de empregos. Mas a questão é: estes empregos serão destinados aos moradores locais, ou serão destinados aos que virão de fora, mais qualificados e preparados para os trabalhos solicitados?
Diante de tudo que foi exposto, temo que a comunidade que lá vive adoeça, e conseqüentemente os indivíduos que a compõe. Pois ocorrerão muitas mudanças de ordem ecológica, cultural e social, que vão afetar diretamente o modo de viver daquela população, que vive lá faz tempo. População esta que vem se adaptando a natureza a séculos, e que agora corre o risco de ser submetida a mudanças que dificilmente terão condições de se adaptar...
Pois bem, quem vai pagar a economia gerada por Belo Monte? Quem vai bancar a vida saudável dos que lá se instalarem? Fica a reflexão.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Medicalização das Relações


É de se impressionar a quantidade de pessoas que se submetem a tratamentos farmacológicos para recuperar o bem estar emocional, abalado seja pela depressão, ansiedade ou outro mal. Em uma sociedade cada vez mais materialista e imediatista, o uso dos medicamentos para recuperar a saúde emocional surge como alternativa viável e oportuna – mas vale ressaltar que intervenção esta se limita a algumas causas e alguns fatos isolados que origina o problema, desconsiderando tantos outros relacionados a saúde do ponto de vista integral.
Conheci certa vez uma pessoa que estava numa fase de "apoio químico". Sentia-se extremamente bem com o tal comprimido prescrito pelo médico. Se sentia mais forte frente aos embates da vida, apesar de achar que em alguns momentos "esquecia" ou ficava indiferente frete aos mesmos. Percebi então que o fato desencadeante do problema dele estava ainda ali presente, e que a situação estava apenas maquiada. E que tal fato desencadeante estava na forma como esta pessoa conduzia suas relações pessoais.
A intervenção medicamentosa - que ressalto como sendo importante em algumas ocasiões - não elimina alguns fatos que desencadeiam o problema de saúde. As pessoas necessitam ter consciência que a saúde envolve outros aspectos, como o ambiente em que vive, incluindo as relações e a forma como relacionamos com os mais próximos, e a maneira de como estes se relacionam conosco.
Que a convivência humana não é fácil, ninguém descorda, e que ninguém quer ficar sozinho, também não se discute - salvo as exceções. O fato é que as relações podem ser determinantes da nossa saúde considerando o ponto de vista relacional. Muitas pessoas acabam por ter dificuldade de viverem juntas, e acabam somatizando este problema seja em si própria, seja no semelhante. As relações de hoje em dia vem se tornando tensas, superficiais. Fenômeno associado a uma cultura cada vez mais individualista e competitiva, que busca o sucesso a toda prova. Um dos piores vícios que uma relação pode ter, e que é tema deste texto, é o da chantagem emocional . Trata-se de um dos piores porque busca a realização não pela conquista ou convencimento, mas sim pela pressão, pelo temor, pela chantagem. Não se conquista, se aprisiona o ser.
O mecanismo maléfico da chantagem emocional fundamenta no despertar da culpa no outro, para obrigá-lo a fazer o que ele não gostaria de fazer. Ferramentas como diálogo e negociação não entram neste tipo de relação. O ser, acuado, e com sentimento de reprovação, acaba cedendo e fazendo o jogo chantagista. Aqui cabe uma reflexão sobre saúde emocional: A quem cabe uma sentença de culpa? Considerando culpa como uma reavaliação de um comportamento passado, tido como "reprovável", penso que seja, antes de tudo, coisa intima, de cada um, e que não deva ser sentenciado por outrem. Caso exista alguma responsabilidade sobre algum atitude, que ele seja julgado e sentenciado da maneira adequada. Agora, o sentimento de culpa deve ser respeitado em sua intimidade, e nunca trazido a tona para realizar ameaças ou outras atitudes reprováveis.
O problema do chantagista é que ele toca nesta ferida intima, além de dar contornos desagradáveis ao fatos. A vitima, para aliviar este sentimento negativo, cede... daí a saúde emocional, saúde social e até a física fica comprometida.Diante de um chantagista emocional, a apatia acaba sendo a melhor forma de reagir. E necessário ter a consciência de que ele quer é despertar sentimentos de culpa e outros sentimentos negativos. Nunca se deve dar este direito a outrem. O julgamento e a conclusão sobre uma conduta inadequada e que gere sentimento de culpa, é só da própria pessoa e de mais ninguém!
Todas estas questões serve para fazer uma ligação com o assunto que iniciou o texto. Pessoas estão adoecendo por que não estão conseguindo relacionar saudavelmente com os outros, ou convive com pessoas de difícil convivência. Não estão aprendendo a relacionar melhor, e a crescer nos relacionamentos, apenas tomam pílulas e maquiam a realidade.
O consumo cada vez mais crescente de medicamentos para depressão e ansiedade traz consigo uma reflexão: será que as pílulas da felicidade são o melhor caminho para se viver bem? E o crescimento pessoal e espiritual? E para finalizar, vale outro questionamento: o que ando fazendo para a minha saúde, dentro das dimensões física, emocional, social, intelectual e espiritual? Pensar pode ser um ótimo remédio.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Mundo Melhor ou Filhos Melhores para o Planeta


“Nem tanto ao mar, nem tanto a terra” diz o conhecimento popular. Não vamos focar apenas na educação de nossos filhos e esquecer-se das agressões ao planeta, e nem focar somente nas questões ambientais, e esquecer a educação das futuras gerações.
Penso sempre que outra pergunta poderia ser feita também: que direito temos nós de comprometer o futuro da humanidade, por meio de nossas atitudes de presente? Que heranças vamos deixar para nós mesmos? E para nossos filhos? (entenda aqui herança não do ponto de vista material ou financeiro, mas moral, ético e ambiental).

O problema é que o consumismo desenfreado e a busca de comodidades de todo tipo deixou o homem com uma visão muito estreita das coisas, e perdendo-se o sentido ampliado das mesmas. Sabemos da importância da saúde, mas compramos Mac Donald´s para nossos filhos, culpamos depois esta empresa pela sua publicidade agressiva que nos força a comprar este tipo de alimentos, e depois deixamos nossos filhos no futuro ou pagando para recuperar a saúde, ou exigindo do governo que melhore os serviços de saúde já lotados (lotados de doenças que poderias ser evitadas!)

Um saudosista poderia lembrar-se dos cafés em família, com mais opções de comidas saudáveis, ao redor da mesa com conversas interessantes sobre vários temas ou sobre bobagens quaisquer. Mais foi uma geração assim que depois se rendeu aos fast foods da vida...

Um grande problema que vejo é manipulação de nossos desejos pela mídia (ou sociedade em geral também), nos fazendo experimentar e tornar dependentes de tudo que no final das contas nos traz mais certa comodidade... se é que traz! (a uns dez anos atrás muita gente vivia sem celular, e nem por isto eram menos eficientes ou melhores do que são hoje, o grande problema esta na dependência que isto gera).

Enfim, além de cuidar do planeta, o principal é cuidar para que as futuras gerações sejam mais conscientes, e menos influenciadas pelos pensamentos de massa, que se por um lado facilitam a vida ou oferecem mais prazer, também deixam uma conta amarga a ser paga no futuro... como no caso do Mac Donald´s. Você paga hoje lanches para teu filho, amanha o organismo dele vai cobrar uma atitude pelo abuso cometido – e que você colaborou, e você (ou provavelmente ele) terá que pagar para amenizar o estrago. Se você não conversa com teu filho, e não demonstra atitudes relacionadas ao cuidado do planeta, a natureza também irá cobrar pelo estrago e omissão do não cuidado. E pouco provavelmente você – o maior responsável, e mais certamente ele – que não aprendeu , vão pagar a conta pela atitude de não cuidar da saúde e do ambiente hoje...